Radar Contábil AUDICONT
Atualização do ISSB reforça que a contabilidade empresarial caminha para integrar desempenho financeiro e riscos de sustentabilidade
Avanços divulgados pelo órgão internacional indicam a evolução das normas de divulgação, enquanto empresas brasileiras devem acompanhar as mudanças sem antecipar obrigações ainda não exigidas
Por Cleiton Celini e Gledson Alves, sócios e contadores da AUDICONT Contabilidade
O International Sustainability Standards Board (ISSB) divulgou os principais temas discutidos em sua reunião de junho de 2026, destacando a continuidade dos trabalhos relacionados às divulgações corporativas sobre natureza e sustentabilidade. A atualização foi repercutida pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) no início de julho e evidencia uma tendência cada vez mais clara: a informação contábil passa a ser analisada em conjunto com fatores que podem afetar a geração de valor das empresas no longo prazo.
Embora as discussões estejam concentradas no ambiente internacional e não criem novas obrigações imediatas para todas as empresas brasileiras, elas servem como importante sinal da direção que os padrões globais de divulgação vêm adotando. A eventual incorporação dessas práticas ao ambiente regulatório brasileiro dependerá dos processos de convergência conduzidos pelos órgãos competentes e das regulamentações específicas aplicáveis a cada tipo de entidade.
Para o empresário, o principal impacto não está apenas na elaboração de relatórios de sustentabilidade, mas na crescente valorização da qualidade da informação contábil. Demonstrações financeiras confiáveis, acompanhadas de controles internos consistentes e processos de governança bem estruturados, tornam-se fundamentais para atender às expectativas de bancos, investidores, auditorias independentes e demais usuários das informações corporativas.
Na prática, isso significa que o fechamento contábil passa a assumir um papel ainda mais estratégico. Balanço patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC), Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) e notas explicativas deixam de ser vistos apenas como documentos obrigatórios e passam a representar a base sobre a qual outras informações corporativas poderão ser construídas.
Essa evolução também aumenta a importância dos controles internos. Empresas que mantêm conciliações mensais, plano de contas atualizado, documentação organizada e políticas contábeis bem definidas conseguem produzir informações mais consistentes e reduzir riscos de divergências durante auditorias, processos de due diligence, obtenção de crédito e avaliações empresariais.
Outro aspecto relevante é que a integração entre informações financeiras e não financeiras exige maior alinhamento entre as diversas áreas da organização. Dados operacionais, riscos, estratégia e indicadores de desempenho precisam ser sustentados por registros confiáveis e metodologias consistentes, reforçando o papel da contabilidade como elemento central da governança corporativa.
Segundo Cleiton Celini e Gledson Alves, sócios e contadores da AUDICONT Contabilidade, acompanhar a evolução das normas internacionais permite que empresários preparem suas empresas de forma gradual, sem criar obrigações inexistentes ou antecipar procedimentos ainda não exigidos pela regulamentação brasileira. O fortalecimento da contabilidade começa pela qualidade da escrituração, pela consistência das demonstrações financeiras e pela confiabilidade das informações utilizadas na gestão do negócio.
Os especialistas ressaltam que empresas que utilizam a contabilidade apenas para cumprir exigências legais tendem a perder oportunidades de melhorar processos internos, fortalecer a transparência perante os sócios e ampliar sua credibilidade junto ao mercado. Em um cenário de crescente integração entre finanças, governança e sustentabilidade, a informação contábil passa a desempenhar papel decisivo na tomada de decisões estratégicas.
A tendência observada nas discussões internacionais confirma que a contabilidade empresarial continuará evoluindo para oferecer informações cada vez mais úteis, comparáveis e confiáveis. Para empresas de qualquer porte, investir em processos contábeis consistentes representa não apenas conformidade normativa, mas também maior capacidade de planejamento, avaliação de desempenho e geração de valor.
FAQ
1. O ISSB criou novas obrigações para as empresas brasileiras?
Não. As atualizações divulgadas referem-se ao andamento dos projetos internacionais. A adoção de novas exigências no Brasil depende de processos regulatórios e de convergência conduzidos pelos órgãos competentes.
2. Por que empresários devem acompanhar essas discussões?
Porque elas indicam a direção das futuras práticas de divulgação corporativa e reforçam a importância de manter informações contábeis confiáveis e bem documentadas.
3. Qual a relação entre sustentabilidade e demonstrações financeiras?
Os mercados têm valorizado a integração entre desempenho financeiro, gestão de riscos, governança e sustentabilidade, utilizando essas informações de forma complementar na avaliação das empresas.
4. O que muda para pequenas e médias empresas?
Mesmo quando não há obrigação específica de elaborar relatórios de sustentabilidade, permanece essencial manter uma escrituração contábil consistente, demonstrações financeiras confiáveis e controles internos eficientes.
5. Como a qualidade da contabilidade influencia o acesso ao crédito?
Instituições financeiras analisam a consistência das demonstrações financeiras para avaliar risco, capacidade de pagamento e governança, tornando a qualidade da informação contábil um fator relevante nas decisões de crédito.
6. Qual deve ser a prioridade das empresas neste momento?
Fortalecer a escrituração contábil, revisar conciliações, manter políticas contábeis atualizadas, aperfeiçoar controles internos e acompanhar a evolução das normas sem antecipar obrigações que ainda dependam de regulamentação.